O Projeto

Desde 2012, o grupo de pesquisa se dedica a elaborar critérios – a partir de leituras, análise de vídeos, oficinas temáticas, conversas com artistas – que auxiliem a pesquisa em dança, mais especificamente, as relações entre pensamento, história, dança e corpo. A ideia é possibilitar tanto aos profissionais quanto aos estudiosos da dança um arsenal teórico e prático que contribua para a formação, produção e difusão em dança.

A necessidade de maior interlocução visando o aprofundamento da pesquisa se afirma pela importância de disponibilizar, online, material textual e iconográfico que procure atender às especificidades da dança (dança entendida aqui como um campo ampliado da criação artística, no qual as fronteiras que o definem estão em estado constante de vibração).

Nesse sentido, a pesquisa procurará sempre levar em conta a especificidade da relação entre dança e história, sua temporalidade própria, fazendo com que a pesquisa prática – investigando técnicas corporais e de criação dos artistas – tenha a mesma importância da pesquisa teórica. Com isso, trabalhamos a maneira como a dança é afetada pelos seus aparatos de documentação. Seguiremos produzindo roteiros, práticas, aulas, entrevistas e seus registros de maneira imbricada com nossa produção teórica, tensionando a relação entre arquivo e experiência na história da dança.

Eis os percursos que atravessamos até agora:

Projeto “Reestruturando histórias da dança”

O primeiro projeto Temas de Dança intitulado Reestruturando histórias da dança consistiu na ampliação da investigação teórica no campo da história da dança através de três ações: a reestruturação de um curso de História da Dança, o apoio às bibliotecas de escolas de dança do Rio de Janeiro e a criação deste site de pesquisa. Este primeiro projeto também estruturou o grupo composto pelas artistas pesquisadoras Flavia Meireles, Mariana Patrício e Giselle Ruiz, que em suas trajetórias se dedicam há mais de 10 anos a misturar e desafiar formas fixas de perceber o objeto artístico e que transitam entre a cena artística e as salas de aula das faculdades PUC-Rio, Angel Vianna e EBA-UFRJ.

Em 2012 e 2013, com o Fundo de Apoio à Dança 2011, o projeto consistiu na ampliação da investigação teórica no campo da história da dança, através da estruturação do grupo de pesquisa(link) e sua difusão, através das seguintes ações:

• Reunião de pesquisadores da área de  Corpo, Dança e História, possibilitando a troca, a atualização e o aprofundamento das questões pertinentes à esse campo de estudo.
• Aquisição de material bibliográfico e audiovisual que foram destinados à Biblioteca da Escola Angel Vianna. A bibliografia foi composta tanto de publicações relativas à dança no Brasil e no Exterior quanto de publicações relevantes na área de História Brasileira e Mundial (do período compreendido pela pesquisa) e Filosofia (com ênfase na relação entre corpo e pensamento).
• Pesquisa de fontes primárias (entrevistas, programas de espetáculos, registros audiovisuais) sobre a produção artística em dança no Brasil, no período compreendido pela pesquisa, assim como a reunião e leitura de material bibliográfico já publicado a esse respeito. Nessa tarefa contamos com o apoio de uma assistente de pesquisa.
• Cursos teórico e prático sobre relação entre corpo e pensamento no CCO.
• Publicação online dos artigos produzidos pelas pesquisadoras e por outros pesquisadores convidados.

Projeto “Temas de dança – Estudo Itinerante”

Em 2014, através do I Programa de Fomento da Prefeitura e com o apoio do Museu de Arte do Rio (MAR), uma nova edição do projeto  visou ampliar as formas de horizontalizar e democratizar o acesso ao material produzido, viabilizando as conexões e os diálogos entre os pesquisadores, estudantes e os demais interessados na área.

Esse segundo projeto chamou-se Temas de Dança – Estudo Itinerante, com as pesquisadoras Ana Kiffer, Flavia Meireles e Mariana Patrício, e foi realizado no ano de 2014 no Museu de Arte do Rio. Este projeto propôs oficinas integradas aos cursos de Bacharelado e Teoria da dança da UFRJ, ao curso técnico em dança da FAETEC e aos monitores e educativo do museu MAR. Além disso, o projeto produziu vídeos temáticos e entrevistas, disponibilizados online no site do projeto, e concebeu e produziu o Seminário Bordas do Corpo: dança, política e experimentação que reuniu 15 pesquisadores e artistas do Brasil e público lotado nas três mesas de debate do dia 10 de maio de 2014. Um registro na íntegra bem como seis relatos críticos podem ser vistos no site. Fechando o projeto propomos o encontro com o grupo de pesquisa no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, aberto ao público.

Para isso, nessa segunda fase o projeto contou com duas frentes de ação paralelas:

1. Concepção e realização de três oficinas e o seminário Bordas do Corpo: dança, política e experimentação, com apoio do Museu de Arte do Rio – MAR.
2. Produção de material audiovisual com temas ligados à história da dança e entrevistas, disponibilizado neste site.

As ações realizadas pelo grupo de pesquisa nesta segunda fase foram:

• Realização de oficinas integradas aos cursos de Bacharelado e Teoria da dança da UFRJ, ao curso técnico em dança da FAETEC e aos monitores e educativo do museu MAR, levantando questões do corpo, da dança e do pensamento .
• Concepção e produção do seminário Bordas do Corpo: dança, política e experimentação no Museu de Arte do Rio (MAR). O seminário convidou artistas, pesquisadores e o público em geral a criar um campo de reflexão e de experimentação, oferecendo diversas perspectivas e pesquisas acerca do corpo, da dança e da política.
• Realização de encontro aberto do projeto Temas de dança – estudo itinerante, no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, dia 26 de julho de 2014.
• Publicação online de 6 relatos críticos referentes ao seminário produzidos por convidados.
• Desenvolvimento de material audiovisual documentando os processos acima mencionados e publicação neste site.

Bordas do Corpo – 2015

O projeto Bordas do Corpo investiu na criação dos vídeo-ensaios a partir de três pontos da cidade: Maracanã*, Maré e Madureira**. A escolha considerou a complexidade da formação histórica de cada lugar, assim como a força estética e política desses locais – fatores que motivaram as pesquisadoras a criar novos modos de abordagem. Partimos da premissa que as fronteiras não são, de modo algum, fixas, mas que são e estão, mais do que nunca, em estado de vibração e instabilidade permanente. Nesse ano, passou a integrar a equipe do Temas de Dança a bailarina e pesquisadora Laura Samy.

Além da criação dos vídeos, o grupo realizou uma parceria com a funkeira Mc Carol que deu origem à composição da artista, “Não foi Cabral”, trilha sonora do vídeo Maracanã, que debate a questão indígena no Rio de Janeiro.

O vídeo Jongo traz a cena entrevistas com as artistas do Jongo da Serrinha, discutindo a presença africana da cidade e como encenar e lidar com essas memórias.